Heranças: Os Problemas Mais Comuns nas Famílias (e o Que Diz a Lei)

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Falar de heranças é falar de família, património e, muitas vezes, de conflitos.
Em Portugal, muitos problemas surgem não por má-fé, mas por desconhecimento da lei. Saber como funciona uma herança pode evitar discussões longas — e até processos em tribunal.

O que é, afinal, uma herança?

A herança é o conjunto de bens, direitos e dívidas que uma pessoa deixa após a sua morte.
Inclui, por exemplo:

  • Casas e terrenos;
  • Dinheiro em contas bancárias;
  • Carros;
  • Mas também dívidas pendentes.

A herança só se transmite após a morte e segue regras próprias previstas na lei.

Quem são os herdeiros?

Se não existir testamento, a lei define automaticamente quem herda.
Os herdeiros legais são, por regra:

  1. Cônjuge e filhos;
  2. Na falta destes, pais e outros ascendentes;
  3. Depois, irmãos e outros parentes.

Isto significa que não é possível excluir livremente certos familiares, mesmo que exista testamento.

O que é a “parte legítima”?

A lei protege determinados herdeiros, chamados herdeiros legitimários (cônjuge, filhos e, em certos casos, pais).
Estes têm sempre direito a uma parte mínima da herança — a chamada legítima.

Mesmo que exista testamento, essa parte não pode ser retirada.

Testamento: resolve tudo?

O testamento ajuda, mas não resolve tudo.
Ele permite decidir quem recebe parte dos bens, mas:

  • Tem de respeitar a legítima;
  • Tem de cumprir formalidades legais;
  • Pode ser contestado se violar a lei.

Muitos conflitos surgem porque as pessoas acreditam que “quem faz testamento manda em tudo”, o que não é verdade.

Aceitar ou recusar a herança

Nem todas as heranças são vantajosas.
Se existirem mais dívidas do que bens, o herdeiro pode:

  • Aceitar a herança, assumindo também as dívidas;
  • Aceitar a benefício de inventário, protegendo o seu património pessoal;
  • Repudiar a herança, recusando-a por completo.

Esta decisão deve ser ponderada e, muitas vezes, aconselhada juridicamente.

Partilhas: onde começam os conflitos

A partilha é o momento em que os bens são divididos entre os herdeiros.
É aqui que surgem os problemas mais comuns:

  • Discordâncias sobre o valor dos bens;
  • Uso exclusivo da casa por um herdeiro;
  • Atrasos na partilha;
  • Suspeitas de ocultação de bens.

Sempre que possível, a partilha deve ser feita por acordo. Quando isso não acontece, pode ser necessário recorrer ao tribunal.

Erros frequentes nas heranças

Alguns dos erros mais comuns são:

  • Achar que o testamento resolve tudo;
  • Usar bens da herança antes da partilha;
  • Ignorar dívidas;
  • Não formalizar acordos entre herdeiros;
  • Adiar indefinidamente a partilha.

Estes erros costumam agravar conflitos e dificultar soluções.

O que diz a lei?

As regras das heranças estão previstas no Código Civil e procuram equilibrar a vontade da pessoa falecida com a proteção da família.

Conhecer estas regras não substitui o apoio jurídico, mas ajuda a tomar decisões mais conscientes.

As heranças não têm de ser um campo de batalha familiar.
Na maioria dos casos, os conflitos surgem por falta de informação e comunicação. Conhecer as regras básicas permite prevenir problemas, proteger direitos e preservar relações.

Informar-se é o primeiro passo para evitar que um momento difícil se transforme num conflito duradouro.

Muitas famílias perguntam-se se é obrigatório recorrer a um advogado quando surge uma herança. A resposta curta é: nem sempre. A resposta correta é: depende da situação.
Saber quando o apoio jurídico é necessário pode evitar erros graves, perdas financeiras e conflitos difíceis de resolver mais tarde.

Casos em que NÃO é obrigatório advogado

Em situações simples, a herança pode ser tratada sem advogado, nomeadamente quando:

  • Todos os herdeiros estão de acordo;
  • Não existem conflitos quanto à divisão dos bens;
  • A herança é pequena e clara;
  • Não há dívidas relevantes;
  • Não existe testamento ou o testamento é simples e respeita a lei.

Nestes casos, é possível tratar muitos atos diretamente numa conservatória ou através do Balcão das Heranças.

Quando é que o advogado se torna essencial?

Há situações em que o recurso a um advogado não é apenas aconselhável — é prudente. Por exemplo:

1. Quando há conflitos entre herdeiros

Se não existe acordo sobre:

  • Quem fica com determinados bens;
  • O valor de casas ou terrenos;
  • O uso de um imóvel comum;

O conflito tende a agravar-se sem orientação jurídica.

2. Quando existe testamento

Testamentos mal redigidos ou que violam a legítima são uma das maiores fontes de litígio.
Um advogado pode verificar:

  • Se o testamento é válido;
  • Se respeita os direitos dos herdeiros legitimários;
  • Se pode ser impugnado.

3. Quando há dívidas

Aceitar uma herança significa aceitar também as dívidas.
Um erro comum é aceitar a herança sem saber:

  • O valor real do passivo;
  • Se existe risco para o património pessoal do herdeiro.

Aqui, o apoio jurídico é fundamental para avaliar se deve haver aceitação a benefício de inventário ou repúdio.

4. Quando a partilha se arrasta

Heranças que ficam “paradas” durante anos criam problemas sérios:

  • Imóveis que não podem ser vendidos;
  • Conflitos sobre rendas ou uso de bens;
  • Dificuldades fiscais.

Um advogado pode desbloquear a situação e orientar para uma solução legal.

5. Quando é necessário ir a tribunal

Se não há acordo, pode ser necessário instaurar um processo de inventário judicial.
Neste caso, o acompanhamento por advogado é, na prática, indispensável.

E o papel do notário ou da conservatória?

Notários e conservatórias tratam de atos formais importantes, mas não defendem interesses nem resolvem conflitos.
O advogado atua de forma diferente:

  • Analisa riscos;
  • Protege direitos;
  • Aconselha estrategicamente;
  • Evita erros com consequências futuras.

O que diz a lei?

As regras relativas às heranças, à aceitação, partilha e direitos dos herdeiros encontram-se previstas no Código Civil.
A lei oferece soluções, mas exige escolhas informadas — e é aí que o aconselhamento jurídico faz a diferença.

Nem todas as heranças precisam de advogado, mas muitas precisariam de o ter tido desde o início.
Procurar apoio jurídico cedo não significa conflito — significa prevenção.

Num momento sensível como a morte de um familiar, informação e orientação jurídica ajudam a proteger património, direitos e, muitas vezes, as próprias relações familiares.

Entre em contacto connosco para ajuda e mais informações: geral@direito.pt

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